Bem Vindo

Este site apresenta um estudo sobre o dia a dia do funcionalismo público federal brasileiro na primeira década do século XXI. Você pode consultar o texto completo do trabalho, do projeto, passagens das obras de referência, comentários às passagens e a bibliografia utilizada.

Fique à vontade para ler e utilizar o conteúdo disponibilizado aqui. Todo conteúdo de minha autoria pode ser considerado como domínio público e você pode usar como quiser, para quaisquer fins, citando ou não a fonte. Já as passagens de obras de outros autores, encontradas nos itens "anotações" e "bibliografia" precisam ser adequadamente citadas.

Aqui na primeira página você também encontra um blog sobre o cotidiano da burocracia. Divirta-se.

O mérito define a política salarial no setor público

Para que possamos discutir adequadamente a questão da política de recursos humanos na Administração Pública é preciso abrir mão de nossas pré-noções e aceitar algumas definições conceituais.

A primeira definição que precisamos aceitar é a de que existe um critério meritocrático no serviço público. Existe sim. Este não é um ponto passível de discussão e qualquer contra argumento poderá ser qualificado como desrespeito a servidor público.

A importância dos TUP

O tempo dos orelhões passou e deixou pra trás algum charme, alguns colecionadores, alguma criatividade e muita evidência do vandalismo e desrespeito ao patrimônio público. As coisas, no entanto, não desaparecem quando seu tempo passa. Agora vivemos, por assim dizer, no período residual dos orelhões. Sua importância despencou, mas não desapareceu, e seu legado, apesar de depredado, continua nas ruas.

Viva o estatismo

Há repartições que vivem de fazer reuniões. Parece ser uma espécie de ritual ou hábito arraigado passar de 3 a 8 horas por dia de trabalho reunindo-se com colegas de trabalho ou com servidores de outras repartições. Há reuniões das quais não se conhece a pauta. Em tais casos é preciso encontrar algo sobre o que deliberar até algum item de pauta se apresente. Estes momentos não são frutíferos para o serviço, mas ajudam o pesquisador a conhecer os valores e ideologias dos servidores.

Cargos fictícios, salários reais

Filho de um oficial cuja carreira em Petesburgo em vários ministérios e departamentos era daquelas que conduzem as pessoas a postos dos quais, em razão de seu longo tempo de serviço e da posição alcançada, não podem ser demitidas ― embora seja óbvio que não possuem o menor talento para qualquer tarefa útil ―, pessoas para as quais cargos são especialmente criados, os quais, embora fictícios, pagam salários que nada têm de fictícios e dos quais eles continuam vivendo o resto da vida.

O homem que colecionava

Era um sujeito negro, alto, gordo, muito simpático e sorridente. Tinha aquele jeito malandro de carioca que a maioria das pessoas aprecia, de modo que era amigo de quase todos. O quase fica por conta justamente de sua chefia imediata. Vez por outra ele deixava escapar um resmungo sobre a forma como ela o tratava.

Monitoramos preço e prazo

Em uma importante reunião um servidor do Ministério dos Transportes abriu sua fala com uma frase que não pude resistir à tentação de anotar. Disse ele:

Em todo projeto devemos monitorar três coisas: preço, prazo e qualidade. Qualidade, à distância, é complicado. Por isso nós monitoramos preço e prazo.

Ele então discorreu por 50 minutos sobre como sua equipe monitorava preço e prazo sem, em momento algum, voltar à questão da qualidade. Ninguém pareceu surpreso com isso...

O bom é inimigo mortal do razoável

Quando eu era criança aprendi com gibis e desenhos animados um velho ditado que dizia "a pressa é inimiga da perfeição". Já adulto, no cotidiano da burocracia, aprendi um outro: "o ótimo é inimigo do bom". Ditados como esses sobrevivem graças à repetição. São ditos de novo e de novo a cada vez que se apresenta a situação para a qual foram criados. Quando o Luizinho tenta montar seu ferrorama sem ler o manual, logo aparece o Professor Pardal com essa história do conflito entre a pressa e a perfeição.

O poder do vazio

Indicadores, metas e até normas são construídos de forma a não ter nenhum conteúdo em absoluto. Não é como se não houvesse indicador nenhum? Claro que não. Indicadores vazios são poderosos. Essa é uma lição que às vezes tenho a impressão de que apenas o burocrata sabe...

Diário do "Cotidiano"

O "Cotidiano da Burocracia" nasceu com um objetivo específico e limitado: tratava-se de dar suporte ao desenvolvimento de um trabalho acadêmico sobre o dia-a-dia da Administração Pública Federal Brasileira.

Agora que o trabalho foi concluído, o site ficou praticamente parado. Serve apenas como uma referência a mais para os poucos que vasculham a rede em busca de informações sobre o intrigante e enfadonho mundo do serviço público.

Resolvi tentar um experimento: transformar este site em uma espécie de Blog da Burocracia. Imaginem só o quanto será divertido! Poderemos acompanhar a tramitação de processos, conferir a correção dos carimbos e até mesmo assistir ao desarquivamento de documentos entulhados em algum subsolo de repartição!

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